Um composto pouco conhecido da cannabis, o canabigerol (CBG), reduziu a pressão arterial e os batimentos cardíacos em testes de laboratório, segundo um estudo publicado em outubro na revista científica Molecules e repercutido pelo portal Sechat. Os resultados animam os pesquisadores, mas vêm de experimentos com ratos e com amostras de sangue, e não autorizam o uso do composto como remédio para a pressão alta.
O trabalho foi feito por cientistas da Universidade de Medicina de Białystok, na Polônia. Diferentemente do THC, o CBG não provoca o efeito psicoativo associado à planta, e por isso tem atraído o interesse da pesquisa médica.
Nos testes, o CBG foi aplicado na veia de dois grupos de ratos, um com pressão alta e outro com pressão normal, em três doses diferentes. Quanto maior a dose, maior foi a queda da pressão e dos batimentos. Na dose mais alta, os animais hipertensos tiveram redução média de 27 mmHg na pressão sistólica, a chamada “máxima”, e de 29 mmHg na diastólica, a “mínima”, além de cerca de 23 batimentos por minuto a menos. O efeito, porém, durou pouco, e os animais estavam anestesiados durante as medições.
Os pesquisadores também testaram o composto em amostras de artérias dos animais. O CBG fez os vasos relaxarem, o que facilita a passagem do sangue e ajuda a explicar a queda da pressão. Nas artérias menores, o relaxamento chegou a cerca de 98% nos ratos com pressão normal e a 73% nos hipertensos. Os mecanismos que explicam esse efeito ainda não estão totalmente esclarecidos.
Em outra etapa, feita com sangue humano em laboratório, o CBG e o canabidiol (CBD), sozinhos ou combinados, diminuíram a agregação das plaquetas, processo que dá origem aos coágulos. Em algumas condições, o resultado se aproximou ou até superou o da aspirina usada como comparação. Isso foi medido fora do corpo humano e não significa que os canabinoides tenham a mesma eficácia ou a mesma segurança do medicamento em pacientes.
O estudo tem limites claros: não avaliou o uso prolongado, os efeitos colaterais nem a interação com remédios para pressão e anticoagulantes. Para saber se o CBG pode, um dia, ajudar no tratamento da hipertensão, ainda serão necessários estudos clínicos com pessoas.
Até lá, a orientação para quem tem pressão alta não muda: manter o acompanhamento médico e não trocar nem suspender remédios por conta própria. No Brasil, produtos à base de cannabis para uso medicinal dependem de prescrição médica e seguem as regras da Anvisa.
Fonte e foto: Sechat.






