quarta-feira, novembro 4, 2026
Publicidade
InícioAlto TietêJustiça Eleitoral absolve vereador Fernando Coppola, de Igaratá, de todas as acusações...

Justiça Eleitoral absolve vereador Fernando Coppola, de Igaratá, de todas as acusações do caso dos uniformes de Mauá

Sentença da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo concluiu que não há prova de que o ex-secretário de Educação de Mauá tenha recebido vantagem ou participado de esquema; processo se arrastou por quase dez anos

O vereador de Igaratá Fernando Daniel Coppola foi absolvido de todas as acusações na ação penal eleitoral que apurava fraude na compra de uniformes escolares em Mauá, no ABC Paulista. A sentença, assinada em 30 de outubro pelo juiz Rodrigo Marzola Colombini, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, afastou as imputações de corrupção passiva, fraude à licitação e organização criminosa.

Coppola foi secretário de Educação de Mauá em 2017, na gestão do então prefeito Átila Jacomussi. O caso nasceu das operações Prato Feito e Trato Feito, deflagradas pela Polícia Federal em 2018, e tratava do Pregão Presencial nº 24/2017, que contratou 48 mil kits de uniforme escolar.

Por que ele foi absolvido

Segundo a sentença, a acusação contra Coppola se apoiava apenas na menção ao apelido “Xuxa” em uma planilha apreendida na casa de outro investigado, sem assinatura nem confirmação por outros meios. O juiz registrou que não houve interceptação telefônica, quebra de sigilo bancário ou depoimento que comprovasse o recebimento de qualquer valor pelo então secretário.

“Não há interceptação, quebra de sigilo bancário ou prova oral que confirme o efetivo recebimento de vantagem indevida por Coppola”, escreveu o magistrado, que concluiu que a dúvida impõe a absolvição.

Testemunhas ouvidas em março de 2026 também pesaram na decisão. A então procuradora jurídica da Prefeitura de Mauá afirmou que o processo de licitação corria pelos setores técnicos e pelo jurídico, sem interferência política. A ex-secretária adjunta de Educação declarou que Coppola nunca deu orientação para favorecer ou prejudicar empresas e que só foi chamado para tomar conhecimento de problemas nas amostras das concorrentes.

Sobre a quantidade de kits, um dos pontos mais citados na acusação, a Justiça aceitou a explicação de que a compra foi planejada para dois anos letivos (2017 e 2018), com estoque de segurança. A fraude à licitação foi afastada para todos os réus do processo. O juiz também lembrou que o Ministério Público de São Paulo arquivou, após sete anos, o inquérito civil sobre os mesmos fatos, por não encontrar dolo nem dano aos cofres públicos.

O processo tinha outros réus. Três deles foram condenados em primeira instância por corrupção e organização criminosa e podem recorrer em liberdade. A parte que envolve o ex-prefeito Átila Jacomussi foi separada e enviada ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Como se trata de decisão de primeira instância, o Ministério Público Eleitoral ainda pode recorrer.

Em mensagem ao Jornal Metrópole, Coppola lembrou que assinava os documentos da pasta como secretário e acabou incluído no processo junto com integrantes do governo de Mauá. “Demorou quase dez anos para sair o julgamento, foi um processo bastante dolorido”, disse.

O vereador afirmou que a acusação foi usada contra ele desde que se candidatou em Igaratá, em 2020, com repercussão na imprensa regional. Em abril de 2024, o ex-prefeito Celso Palau protocolou na Câmara um pedido de cassação do mandato com base no processo, mas o pedido foi rejeitado por 5 votos a 3.

Publicidade
ARTIGOS RELACIONADOS
Jornal impressoEdições do Jornal MetrópoleLeia a edição 611 e as anteriores →
Canal no WhatsAppSiga o Jornal MetrópoleAs notícias da sua cidade no seu celular →
Publicidade
Fale com o Jornal Metrópole pelo WhatsApp
Fale com o Jornal Metrópole pelo WhatsApp
Fale com o Jornal Metrópole pelo WhatsApp

MÚSICA E ENTRETENIMENTO

ARTIGOS POPULARES