O Festival Paraíso Hemp agitou o cenário da contracultura e da luta antiproibicionista em São Thomé das Letras (MG), reunindo pacientes, associações, empreendedores, artistas e entusiastas da planta em um dia voltado à troca de conhecimentos, arte e conexões profissionais. Com uma proposta focada na união entre informação, medicina e cultura, o evento buscou fortalecer a comunidade canábica, apesar de desafios logísticos e climáticos enfrentados ao longo da programação.
O público circulou por um espaço amplo que abrigou expositores de diversos segmentos do universo da maconha legalizada, apresentando desde artesanatos e produtos voltados ao cultivo até vestuário, itens de head shop e pimentas terpenadas. A presença de talentos da região do Alto Tietê marcou o evento, com destaque para os artistas de Arujá: o grafiteiro e músico Skilo — conhecido na cena local por sua atuação com o Controlamente —, que levou suas artes em latas de spray, e o cantor e artesão Fábio Piruka e sua esposa, representando a marca artesanal “La Ranita” com criações manuais inspiradas na energia da floresta e na natureza.
A programação cultural contou com apresentações musicais no palco, reunindo atrações como Rango e Ganjah, Marley Celebration, Cabesativa, Laura Sette (convidando Novak e Cota), Noroeste Side (comandando a batalha de rima), Predella, Ciça e o som do DJ residente Big Ice. No entanto, o fluxo de público para prestigiar os shows foi baixo, devido ao impacto direto da chuva registrada no período, o que levou os participantes a se concentrarem nas áreas cobertas, mais afastadas da estrutura principal de apresentações.
A área de palestras e debates — que pautou temas como cannabis e espiritualidade, negócios, medicina, novas regulamentações da RDC 1.015 e o papel da comunicação nas redes — registrou baixa adesão de público. O cronograma também sofreu alterações devido a ausências de convidados previstos, como o representante da Bem Bolado na mesa de “Cannabis e Negócios”, e o cancelamento da última palestra programada, a “World Tour Exhibition” (que traria Malana Cream e Original Charas), cujo palestrante não compareceu.

Nos bastidores do ciclo de debates, a mesa sobre “Cannabis nas Redes” — com Yago Rosa da Kamahzine, Mika Santana, Fabelos e Felipe da Marcha das Favelas — foi marcada pelo descontentamento dos palestrantes. O grupo demonstrou insatisfação ao descobrir durante o evento que alguns convidados receberam cachê ou ajuda de custo enquanto outros não, além de reclamações sobre acomodações, atrasos e falhas no fornecimento de refeições e bebidas aos palestrantes convidados, com relato de palestrante orientada pela organização a abrir comanda própria e pagar pelo seu consumo no evento.
Em um episódio ao final da mesma mesa, o clima se encerrou tenso após uma intervenção do público. Um homem da plateia pediu a palavra, mas sua fala gerou forte reação contrária dos palestrantes, culminando no momento em que a influenciadora Mika Santana o mandou estudar sobre a maconha e se retirar do local.
O Jornal Metrópole procurou a organização do Festival Paraíso Hemp para obter um posicionamento sobre a ausência dos palestrantes previstos e sobre os relatos de convidados a respeito de cachê, ajuda de custo e estrutura oferecida durante o evento, mas não obteve resposta até o momento desta publicação. A matéria pode ser atualizada assim que houver retorno.
Apesar dos percalços logísticos, das intempéries climáticas e das tensões pontuais de bastidor, o Festival Paraíso Hemp cumpriu seu papel de consolidar um espaço valioso de convivência, resistência cultural e fomento ao mercado legal, mostrando a força de um evento que, em sua essência, une a comunidade em torno da informação, da saúde e de novas conexões para o futuro da cannabis no país.





