A saúde pública em Igaratá atravessa um momento de incerteza e revolta. Enquanto pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, amargam a falta de medicamentos essenciais, a administração do prefeito Gabriel Prianti tenta se desvencilhar do problema através de comunicados oficiais que transferem a culpa integralmente ao Governo Federal.
Em nota divulgada no início de janeiro, a prefeitura alegou que o bloqueio do Programa Farmácia Popular em estabelecimentos privados é de responsabilidade exclusiva da União. No entanto, o que a gestão municipal ignora é o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal de que a assistência à saúde é uma responsabilidade solidária entre Município, Estado e União. Juridicamente, se o programa federal falha ou apresenta interrupções, cabe à prefeitura garantir que o cidadão não fique desamparado, suprindo a demanda através da rede própria.
A realidade nas ruas desmente o tom do comunicado oficial, que afirma que a distribuição na rede municipal segue normalmente. Denúncias enviadas ao Jornal Metrópole, inclusive através de vídeos gravados pelo munícipe Renan Lobo, mostram farmácias credenciadas com o sistema bloqueado e relatos de prateleiras vazias nos postos de saúde da cidade. O caso de um idoso de 67 anos que não consegue obter seus remédios de uso contínuo expõe a gravidade do desabastecimento sob a atual gestão.
Outro ponto que gerou críticas foi a justificativa da prefeitura de que a falta de reposição de estoque nos postos municipais se deve ao recesso das distribuidoras de medicamentos. Para a população, a explicação evidencia uma grave falta de planejamento básico, uma vez que o período de final de ano é previsível e exige a formação de estoques de contingência para que tratamentos vitais não sejam interrompidos.
Questionada diretamente pela nossa redação sobre quais medidas emergenciais seriam tomadas para suprir a demanda da Farmácia Popular e cumprir a responsabilidade solidária prevista na Constituição, a gestão de Gabriel Prianti optou pelo silêncio, não respondendo aos questionamentos específicos. Enquanto a prefeitura se apega a justificativas burocráticas para explicar a inércia, os moradores de Igaratá continuam pagando a conta com a própria saúde.





