sábado, julho 25, 2026
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ZONA DE ENFOQUE: Julho das Pretas no Alto Tietê

Por: Cynthia Mariah

Esta coluna não tinha momento mais ilustre para começar.

Zona de Enfoque é um espaço em que cultura não é superfície; é campo de memória, resistência e invenção. Um espaço onde moda, arte, cidades, cotidiano e ancestralidade ocupam o papel principal como territórios vivos, atravessados por forças históricas, políticas e simbólicas tramadas no presente.

Minhas escrevivências, como nos ensinou Conceição Evaristo, amplificam nossas próprias narrativas. Nascem das afrocentricidades que me atravessam, de um olhar afetivo e de uma escuta radical dos territórios, colocando a invisibilidade em evidência, tensionando narrativas, deslocando olhares e revelando o que ficou fora do enquadramento.

Zona de Enfoque é, antes de tudo, um exercício que vai além das superfícies.

Começar com os traços deixados por passos que vieram de longe, expressos nas ocupações do Julho das Pretas, por diversos territórios de luta e aquilombamentos de Teresas, Dandaras, Beatrizes, Suelis, Bernadetes e tantas outras mulheres negras que marcham por Reparação e Bem Viver, colocando seus corpos em resistência e existência na construção de debates e políticas públicas, é também afirmar nossa continuidade.

Durante todo o mês de julho, em toda a extensão do território nacional, marcado por essa continuidade ancestral, acontecem encontros de discussão, sociabilidade e fortalecimento coletivo.

As cidades do Alto Tietê estão presentes nessa construção do protagonismo das mulheres negras. As agendas de municípios como Santa Isabel, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Arujá, Suzano e tantas outras promovem encontros voltados à valorização dessas narrativas.

No último dia 18 de julho, estive no Encontro de Mulheres Negras de Ferraz de Vasconcelos e Região do Alto Tietê, na Casa da Mulher Ferrazense, acompanhando a conexão de narrativas de muitas mulheres que exercem lideranças em seus territórios, com olhares atentos para pensar e garantir o Bem Viver como forma política e organizativa, como nos trouxe Juliana Gonçalves, palestrante do evento e uma das lideranças da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.

O encontro evidenciou a potência das mulheres negras em diversas linguagens políticas, sociais, comunitárias e ancestrais, porque a ancestralidade também é algo palpável, e muitas griôs ainda caminham entre nós.

E as marchas continuam.

No próximo 25 de julho, Santa Isabel realizará atividades no espaço EcoArtes, no bairro do Ouro Fino, com transporte gratuito saindo às 12h, da Praça da Bandeira. Mogi das Cruzes fará concentração para a Marcha das Mulheres Negras em São Paulo, com saída da subsede da APEOESP às 14h. Ferraz de Vasconcelos promoverá um segundo encontro no Quintal da Casa Raízes, a partir das 13h, além de muitas outras atividades acontecendo simultaneamente.

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