Por: Valesca Vaccari
A Reforma Tributária deixou de ser apenas um debate técnico entre contadores, advogados e empresários. Ela já entrou na vida real, no preço dos produtos, no custo dos serviços e, principalmente, na forma como o cidadão comum e os empreendedores precisarão se organizar financeiramente a partir de 2026.
Com a substituição gradual de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo novo modelo de IVA dual — CBS e IBS — o Brasil inicia uma das maiores transformações fiscais da sua história. Na teoria, o sistema se torna mais simples. Na prática, ele exige planejamento, adaptação de contratos, revisão de precificação e uma nova mentalidade de gestão.
O impacto mais sensível não está apenas na alíquota. Está na forma como os impostos passam a ser apurados, compensados e fiscalizados. Empresas que não ajustarem seus sistemas, contratos e estrutura jurídica poderão enfrentar autuações, perda de créditos tributários e aumento real da carga fiscal sem sequer perceberem de onde veio o problema.
No setor imobiliário, por exemplo, os reflexos são ainda mais delicados. Incorporações, loteamentos, contratos de permuta, SPEs e holdings patrimoniais passam a exigir uma leitura integrada entre direito, contabilidade e estratégia tributária. O que antes era tratado como uma simples “estrutura de economia fiscal” agora se torna um tema de governança, compliance e segurança patrimonial.
Para o cidadão, a mudança também é silenciosa. Serviços do dia a dia da escola ao plano de saúde, do aluguel à prestação de serviços profissionais tendem a refletir essa nova lógica tributária nos preços e nas cláusulas contratuais. Entender o que está por trás dessas mudanças é uma forma de proteção financeira e jurídica.
A grande verdade é que a Reforma Tributária não começa em 2026. Ela começa agora, no planejamento. Quem se antecipa, revisa contratos, ajusta modelos de negócio e estrutura sua vida patrimonial com orientação técnica sai na frente. Quem ignora, corre o risco de sentir o impacto apenas quando ele já estiver no extrato bancário.
Mais do que uma mudança de impostos, estamos vivendo uma mudança de cultura: a era da improvisação fiscal está chegando ao fim. E a era da gestão jurídica e tributária estratégica está apenas começando.





