A Prefeitura de Santa Isabel anunciou, nesta sexta-feira (16/01), a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Federal para o armamento da Guarda Civil Municipal (GCM). Embora a gestão municipal tenha classificado o ato como um passo histórico, a realidade prática para os agentes e para a segurança da população permanece inalterada: a corporação segue desarmada e sem previsão concreta para o início da utilização dos equipamentos.
O anúncio ocorre em um cenário de cobranças sobre a infraestrutura da guarda. Recentemente, o Jornal Metrópole mostrou que a GCM de Santa Isabel tem registrado bons índices de produtividade e bons serviços prestados à comunidade, mesmo operando em condições adversas, sem armamento e com viaturas que nem sempre atendem à necessidade do patrulhamento. A boa atuação dos agentes, no entanto, contrasta com a morosidade administrativa e o silêncio da prefeitura sobre pontos técnicos essenciais.

O termo assinado com a Polícia Federal é apenas o início de um processo burocrático. Para que as armas cheguem efetivamente às mãos dos guardas, o acordo precisa ser publicado no Diário Oficial e receber o reconhecimento final do órgão federal. Além das etapas legais, a administração municipal falha ao não apresentar um planejamento logístico transparente. Questionada pela nossa reportagem, a prefeitura não respondeu sobre o processo de licitação e compra das armas e os prazos para a entrega dos armamentos.
Outro ponto crítico ignorado pela gestão é a infraestrutura de segurança para o próprio armamento. Até o momento, não há informações sobre a construção ou adaptação de uma sala-cofre na sede da GCM, exigência fundamental para a guarda de armas e munições. Sem esse espaço técnico e seguro, o armamento da tropa torna-se inviável, independentemente de acordos assinados em papel.
Enquanto a prefeitura celebra o ato administrativo como uma vitória política, os guardas municipais continuam enfrentando a criminalidade nas ruas de Santa Isabel contando apenas com o preparo pessoal e equipamentos limitados. O Jornal Metrópole continuará cobrando respostas sobre os investimentos reais e o cronograma de execução, para que a promessa de uma GCM armada não fique travada na burocracia ou na falta de planejamento estrutural.
Foto: Divulgação / Prefeitura de Santa Isabel





