A liberdade de expressão e o direito à fiscalização popular enfrentam um cenário de hostilidade em Santa Isabel. Um morador do município registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia local após sofrer ameaças e intimidações em redes sociais. O caso ocorreu após o cidadão expor a precariedade da zeladoria urbana, em um contexto onde a prefeitura desembolsa milhões anuais pelo serviço, mas moradores precisam realizar o trabalho por conta própria.
O denunciante, que chegou a utilizar as próprias ferramentas para realizar a manutenção de áreas públicas abandonadas, passou a ser alvo de perfis, inclusive anônimos, que tentam silenciar as críticas à gestão municipal. Em comentários diretos, o morador foi alvo de deboche e coação, com mensagens que sugeriam que ele “limite-se à sua insignificância” e afirmavam que suas postagens estão sendo “monitoradas”.
A prática de perseguição a vozes dissonantes revela um método de intimidação que busca desestimular a cobrança por transparência e eficiência nos gastos públicos. O registro policial visa identificar os autores das ameaças, especialmente diante de frases que tentam desqualificar o papel do cidadão como fiscal do Executivo, como o convite irônico para que o morador compareça à prefeitura para “carpir mais alguns lotes”.
Especialistas alertam que o uso de perfis para monitorar e coagir moradores que apontam falhas administrativas, como o mato alto e a falta de manutenção em bairros, configura um ataque direto aos princípios democráticos. Enquanto a administração municipal mantém contratos milionários, a população que ousa questionar a contrapartida desses investimentos tem sido respondida com tentativas de silenciamento e violência psicológica no ambiente digital, resta saber por parte de quem.






