O Conselho Municipal de Turismo de Santa Isabel (COMTUR) vive um dos momentos mais críticos de sua história. Durante a reunião ordinária realizada nesta quinta-feira (26), que elegeu Éder Soares, membro suplente representante dos promotores de eventos, como novo presidente por aclamação, o órgão foi palco de um desembarque em massa de representantes da sociedade civil. Membros tradicionais como Rosana Quintela, Joseane Miguel, Jean Rodrigues, Clayton Vidal e Dafne Palmieri formalizaram seus desligamentos, expondo uma profunda crise de governança e falta de interlocução com a Secretaria Municipal de Turismo.
Em uma contundente carta de desligamento, Rosana Quintela, que atuava voluntariamente no conselho há 29 anos e participou de sua criação em 1997, detalhou os motivos da saída. O documento revela uma percepção de “fragilidade institucional” e desrespeito à função consultiva, deliberativa e fiscalizadora do conselho por parte da atual gestão.
Um dos pontos centrais da crítica é a condução das obras do Mirante Monte Serrat. O projeto, que se arrasta há anos, acumula episódios de nulidade em licitações e laudos fraudulentos em gestões passadas, mas continua apresentando problemas na administração atual. Rosana aponta que o município perdeu um convênio de aproximadamente R$ 600 mil junto ao Governo do Estado (via MIT – Município de Interesse Turístico) por não conseguir emitir uma Certidão Negativa de Débitos (CND) dentro do prazo, sem que houvesse esclarecimentos formais ao conselho.
Além disso, membros técnicos do COMTUR, como arquitetos e engenheiros, teriam tido o exercício de fiscalização cerceado pela ausência de planilhas financeiras detalhadas sobre a aplicação dos recursos no Mirante.
A gota d’água para os conselheiros foi a recente alteração da Região Turística do município, que deixou a “Nascentes do Tietê” para integrar a rota “Entre Serras e Águas”. A decisão foi tomada pela Prefeitura sem qualquer debate prévio ou deliberação formal do COMTUR.
O Secretário de Turismo, Sérgio Sidorco, justificou a mudança alegando que a rota anterior possuía uma gestão “inerte” e que a migração visa buscar novas parcerias. Sidorco afirmou que a decisão não teve a intenção de desqualificar os conselheiros, mas o argumento não foi suficiente para estancar a saída dos membros, que se sentem meramente figurativos nas decisões estratégicas da cidade.
O esvaziamento da sociedade civil no COMTUR acende um alerta sobre o futuro do turismo em Santa Isabel, que agora perde décadas de experiência voluntária em meio a reclamações de falta de transparência e eficiência administrativa.
Foto: Dafne Palmieri




