sábado, fevereiro 28, 2026
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BIG BROTHER, EXPOSIÇÃO E A CULTURA DO CANCELAMENTO: O QUE ESTAMOS CONSTRUINDO ?

Por Dra. Valesca Cassiano Silva Vaccari
O Big Brother não é apenas um programa de entretenimento.
Ele é um retrato social.
A cada edição, o que acontece dentro da casa revela muito mais sobre quem está assistindo do que sobre quem está lá dentro.
Nos últimos anos, temos assistido a episódios que envolvem conflitos, julgamentos públicos, cancelamentos instantâneos e uma pressão social que ultrapassa os limites do jogo. A internet deixou de ser plateia. Ela se tornou tribunal.
E aqui está o ponto que precisa ser refletido.
Vivemos uma era em que erros são amplificados, contextos são ignorados e sentenças são proferidas em segundos. Não há contraditório. Não há ampla defesa. Há cortes de vídeo, interpretações emocionais e uma necessidade coletiva de apontar culpados.
Como advogada, aprendi que nenhum julgamento pode ser feito sem análise técnica, sem escuta e sem ponderação.
Como cidadã, me preocupa perceber que estamos naturalizando o linchamento virtual como forma de justiça.
O problema não está apenas no que acontece dentro do programa.
Está no comportamento fora dele.
Estamos criando uma geração que:
•reage antes de refletir;
•julga antes de compreender;
•cancela antes de dialogar.
E isso ultrapassa o entretenimento.
Isso chega nas escolas, nas empresas, nas famílias e até na política.
O Big Brother termina.
Mas os prints permanecem.
As narrativas permanecem.
Os rótulos permanecem.
Precisamos reaprender algo básico: responsabilidade emocional coletiva.
A exposição excessiva transforma qualquer deslize em espetáculo. E quando o erro vira entretenimento, a empatia vira exceção.
Não estou aqui para defender atitudes equivocadas.
Estou aqui para defender maturidade social.
Se queremos uma sociedade mais justa, precisamos começar a praticar justiça — inclusive quando estamos apenas assistindo TV.
Porque a pergunta não é mais “quem errou na casa?”
A pergunta é: o que estamos construindo aqui fora?
Boa reflexão
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