segunda-feira, agosto 17, 2026
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EXPO HEAD GROW COMEMORA 10 ANOS E REFLETE A EVOLUÇÃO DO MERCADO LEGALIZADO DA MACONHA NO BRASIL

Por: Pablo Gomes

Edição comemorativa reuniu mais de 20 mil pessoas no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, com música, ciência, empreendedorismo e diversidade

A 10ª edição da Expo Head Grow, realizada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, reuniu mais de 20 mil pessoas ao longo do fim de semana em uma programação que uniu música, arte, negócios, ciência e diversidade em torno da cultura da maconha. Ao completar uma década, o evento consolidou sua trajetória como um dos maiores encontros do setor no país, refletindo o amadurecimento de um mercado que, apesar dos avanços regulatórios ainda em debate no Brasil, tem se profissionalizado e ganhado espaço em diferentes frentes: da medicina à moda, da gastronomia à tecnologia.

A programação musical foi um dos destaques da edição, reunindo nomes ligados ao reggae, ao rap e à música urbana, como Mato Seco, Expressão Regueira, África Mãe do Leão e SKASU, além da participação especial do rapper MV Bill ao lado do Cidade Verde Sounds. A música dividiu espaço com grafites ao vivo, uma mostra colaborativa de arte e uma pista de skate com disputas entre profissionais, evidenciando como o evento ultrapassou o formato tradicional de feira de negócios para se tornar também um espaço cultural.

O amadurecimento do setor ficou evidente na diversidade de expositores. Empresas nacionais, como a BR Grow Company e a Bob Equipamentos de Extração, apresentaram tecnologias voltadas ao cultivo e à extração sem solventes, enquanto marcas internacionais, como a espanhola Seedstockers e a argentina Ojitos Rojos, levaram ao público brasileiro suas experiências em genética vegetal, reforçando o intercâmbio do Brasil com mercados mais consolidados no exterior. A gastronomia também ganhou espaço, com a uruguaia Marcela Ikeda apresentando receitas à base de derivados do cânhamo, ampliando o olhar sobre os usos da planta para além do consumo recreativo.

Ciência e responsabilidade social estiveram entre os pilares da programação. O projeto LaFuminCam, desenvolvido pela Liga Acadêmica de Cannabis Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), promoveu um circuito educativo com oficinas e materiais informativos voltados à redução de danos, buscando aproximar o público de conteúdos científicos qualificados. Já o projeto Ladybud levou ao evento uma agenda de acolhimento voltada a mulheres e ao público LGBTQIA+, com apoio psicológico, aulas de defesa pessoal e orientações sobre prevenção à violência, temas que têm ganhado cada vez mais espaço em discussões sobre segurança em eventos ligados ao setor.

“Desde a primeira edição, acreditamos que a Expo Head Grow deveria ser muito mais do que uma feira de negócios. Ao longo desses dez anos, construímos um espaço onde informação, cultura, arte, ciência e responsabilidade social caminham juntas”, afirma Clóvis Antunes, diretor comercial do evento.

A trajetória de uma década da Expo Head Grow espelha o próprio caminho do mercado brasileiro da maconha, que segue ganhando visibilidade e legitimidade à medida que reúne pesquisadores, empreendedores e organizações sociais em torno de um mesmo debate. O Jornal Metrópole seguirá acompanhando esse universo com o compromisso de levar à população informação de qualidade, baseada em ciência, sobre um setor que segue em transformação no Brasil.

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