quinta-feira, agosto 13, 2026
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ESTUDO COMPARA EFEITOS DE ÁLCOOL E CANNABIS NO COMPORTAMENTO AO VOLANTE

Pesquisa observou motoristas em situações reais de trânsito e encontrou diferenças no padrão de velocidade entre as duas substâncias

Um estudo publicado na revista Accident Analysis & Prevention trouxe novos dados para o debate sobre o uso de substâncias no trânsito. A pesquisa acompanhou 41 usuários habituais de cannabis dirigindo seus próprios veículos, equipados com sistemas de registro de localização, velocidade, aceleração e imagens, além de testes para identificar consumo de álcool, cannabis ou ambos. O diferencial do trabalho foi sair do ambiente laboratorial e observar o comportamento dos motoristas no dia a dia.

Os resultados mostraram que viagens associadas ao consumo de álcool tiveram mais episódios de excesso de velocidade, enquanto os trajetos após o uso de cannabis apresentaram padrões de velocidade mais próximos do normal entre os usuários habituais. Segundo os pesquisadores, uma possível explicação é o desenvolvimento de comportamentos compensatórios, como dirigir de forma mais cautelosa após o consumo.

Para o psicólogo Reinaldo Dutra, especialista em comportamento humano, o estudo mostra que diferentes substâncias produzem respostas comportamentais distintas. Segundo ele, o álcool tende a reduzir a percepção de risco e aumentar a impulsividade, enquanto usuários habituais de cannabis parecem adotar uma postura mais conservadora ao volante. Ainda assim, o especialista alerta que cautela não significa ausência de prejuízo, já que uma pessoa pode reduzir a velocidade e mesmo assim apresentar alterações na atenção, no tempo de reação e na tomada de decisão.

Os autores do estudo reforçam que os dados não devem ser interpretados como autorização para dirigir após o consumo de cannabis, e que a combinação entre álcool e a substância pode aumentar significativamente o comprometimento da capacidade de dirigir. A pesquisa é apontada como uma das primeiras análises naturalísticas em larga escala sobre o tema e reforça a necessidade de mais estudos e políticas públicas baseadas em evidências científicas para a segurança viária.

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