{"id":7849,"date":"2023-03-31T05:44:22","date_gmt":"2023-03-31T08:44:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/?p=7849"},"modified":"2023-03-31T05:44:22","modified_gmt":"2023-03-31T08:44:22","slug":"estudo-sugere-que-a-asma-pode-proteger-contra-o-agravamento-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/estudo-sugere-que-a-asma-pode-proteger-contra-o-agravamento-da-covid-19\/","title":{"rendered":"Estudo sugere que a asma pode proteger contra o agravamento da COVID-19"},"content":{"rendered":"<p>Em vez de fator de risco, como se suspeitava antes, condi\u00e7\u00e3o pode ter um papel protetor na infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, em 2020, especula-se que a asma poderia contribuir para o agravamento e a letalidade da COVID-19. No entanto,\u00a0os resultados do maior estudo feito at\u00e9 agora com pacientes que foram hospitalizados no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) com os sintomas cl\u00ednicos mais graves da COVID-19,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmed.2022.953084\/full\">divulgados<\/a>\u00a0recentemente na revista\u00a0Frontiers in Medicine,\u00a0 sugerem exatamente o contr\u00e1rio. Al\u00e9m de n\u00e3o piorar o quadro, a asma pode ter um papel protetor na infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>\u201cApesar de desenvolverem mais sintomas cl\u00ednicos, os pacientes com asma foram menos propensos a morrer da COVID-19 em compara\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos sem asma\u201d, afirma um dos autores do trabalho, o bi\u00f3logo e doutor em ci\u00eancias da sa\u00fade\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/82649\/fernando-augusto-de-lima-marson\">Fernando Augusto Lima Marson<\/a>, da Universidade S\u00e3o Francisco (USF), em Bragan\u00e7a Paulista (SP). Para chegar a essa conclus\u00e3o, o grupo formado por cinco pesquisadores avaliou os registros cl\u00ednicos e demogr\u00e1ficos de 1.129.838 pacientes hospitalizados com COVID-19.<\/p>\n<p>Desse total, 43.245 (3,8%) eram pacientes com asma, uma preval\u00eancia baixa que j\u00e1 tinha sido apontada por estudos anteriores. Entre os doentes que precisaram de suporte ventilat\u00f3rio invasivo, por exemplo, 74,7% dos pacientes com asma morreram, enquanto o percentual de mortes entre os pacientes sem asma foi de 78%. No grupo que recebeu suporte ventilat\u00f3rio n\u00e3o invasivo, 20% dos pacientes com asma foram a \u00f3bito\u00a0<em>versus<\/em>\u00a023,5% entre os pacientes sem asma.<\/p>\n<p>Entre os que n\u00e3o precisaram de suporte ventilat\u00f3rio, 11,2% dos pacientes com asma morreram. J\u00e1 o percentual de baixas dos pacientes sem asma na mesma situa\u00e7\u00e3o foi de 15,8%. Todas as informa\u00e7\u00f5es foram obtidas no banco de dados OpenDataSUS.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese dos pesquisadores \u00e9 que as especificidades da resposta imune dada pelo organismo \u00e0 asma criam um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel \u00e0 escalada inflamat\u00f3ria associada \u00e0 forma mais grave da COVID-19. A pessoa com asma apresenta uma baixa produ\u00e7\u00e3o de citocinas inflamat\u00f3rias, um grupo de prote\u00ednas que aumenta a capacidade do corpo de destruir c\u00e9lulas tumorais, v\u00edrus e bact\u00e9rias (os interferons, por exemplo). Isso estimula uma resposta imune mediada por c\u00e9lulas de defesa (linf\u00f3citos) TCD4+Th2, em detrimento do subtipo Th1.<\/p>\n<p>\u201cA predomin\u00e2ncia da resposta Th2 \u00e9 ben\u00e9fica porque pode regular e diminuir o impacto da fase tardia da hiperinflama\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um ponto cr\u00edtico em infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias graves\u201d, explica Marson, que coordena o Laborat\u00f3rio de Biologia Celular e Molecular da USF. Ele tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelos trabalhos de conclus\u00e3o de curso na USF, onde 100% dos alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o s\u00e3o bolsistas integrais.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, que recebeu\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/198078\/asma-como-fator-de-risco-associado-a-letalidade-pela-covid-19\/?q=21\/08437-5\">financiamento<\/a>\u00a0da FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), a asma causaria ainda outras dificuldades ao SARS-CoV-2. A inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica dos alv\u00e9olos pulmonares das pessoas com asma diminui a quantidade de receptores ACE-2 (em portugu\u00eas ECA-2, enzima conversora de angiotensina 2), uma prote\u00edna encontrada na superf\u00edcie de diversas c\u00e9lulas do corpo, inclusive nas do epit\u00e9lio do sistema respirat\u00f3rio. Ela \u00e9 usada pelo v\u00edrus da COVID-19 para penetrar no interior das c\u00e9lulas, onde se multiplica.<\/p>\n<p>\u201cA menor produ\u00e7\u00e3o de citocinas inflamat\u00f3rias e a menor quantidade de receptores para o v\u00edrus resultam em menos chance de infec\u00e7\u00e3o grave\u201d, afirma Marson. Quantidades maiores de eosin\u00f3filos [gl\u00f3bulos brancos] presentes no sangue de pessoas com asma igualmente desfavoreceriam a COVID-19 grave. Para os pesquisadores, o impacto de todas essas circunst\u00e2ncias ajuda a entender por que embora a asma afete 10% da popula\u00e7\u00e3o, apenas 3,8% dos pacientes diagnosticados com COVID-19 e tratados pelo SUS tinham a doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marson, o tamanho da amostra avaliada faz diferen\u00e7a e pode diluir alguns vieses. \u201cPara se ter ideia, na mesma \u00e9poca em que o nosso estudo foi feito, um trabalho nos Estados Unidos que acompanhou entre 300 e 400 pacientes concluiu que a asma era um fator de risco\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ele afirma ainda que o estudo da USF pode conter alguns dados equivocados por causa da natureza das informa\u00e7\u00f5es analisadas. \u201cNosso estudo se baseou em dados coletados por uma ag\u00eancia de governo. Ainda que tenhamos nos aproximado do cen\u00e1rio real do Brasil no que concerne \u00e0 resposta da COVID-19 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 asma, com a inclus\u00e3o de muitos pacientes, o banco de dados ainda possui limita\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1, por exemplo, a descri\u00e7\u00e3o de testes laboratoriais que poderiam confirmar o diagn\u00f3stico de asma\u201d, diz Marson.<\/p>\n<p>Nova an\u00e1lise e coleta de dados ser\u00e3o feitas pelo grupo da USF a partir deste m\u00eas, provavelmente com um universo de 4 milh\u00f5es de pessoas hospitalizadas ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2. \u201cVamos trabalhar com um banco mais robusto e focar novamente no desfecho, mas tamb\u00e9m na influ\u00eancia da vacina contra o v\u00edrus\u201d, adianta o pesquisador.<\/p>\n<p>O estudo publicado na revista\u00a0<em>Frontiers in Medicine<\/em>\u00a0provocou desdobramentos. Um grupo de cientistas de dados pretende verificar as taxas de incid\u00eancia da COVID-19 em pessoas com asma em nove munic\u00edpios da regi\u00e3o onde est\u00e1 situada a USF, no interior paulista. De Portugal, veio o convite da Universidade de Lisboa para uma parceria destinada a verificar a incid\u00eancia da infec\u00e7\u00e3o em pessoas com fibrose c\u00edstica. \u201cEssa doen\u00e7a provoca altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas parecidas com as da asma e muito muco no pulm\u00e3o, o que poderia dificultar a entrada do v\u00edrus na c\u00e9lula\u201d, observa Marson.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Profile of coronavirus disease enlightened asthma as a protective factor against death: An epidemiology study from Brazil during the pandemic<\/em>\u00a0pode ser acessado em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmed.2022.953084\/full\">www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmed.2022.953084\/full<\/a>.<\/p>\n<p>*Com informa\u00e7\u00f5es do Portal do Governo do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em vez de fator de risco, como se suspeitava antes, condi\u00e7\u00e3o pode ter um papel protetor na infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 Desde o in\u00edcio da pandemia, em 2020, especula-se que a asma poderia contribuir para o agravamento e a letalidade da COVID-19. 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