{"id":22367,"date":"2024-12-17T06:33:31","date_gmt":"2024-12-17T09:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/?p=22367"},"modified":"2024-12-17T06:33:31","modified_gmt":"2024-12-17T09:33:31","slug":"campanha-de-2024-foi-recordista-em-violencia-politica-aponta-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/campanha-de-2024-foi-recordista-em-violencia-politica-aponta-pesquisa\/","title":{"rendered":"Campanha de 2024 foi recordista em viol\u00eancia pol\u00edtica, aponta pesquisa"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-noticia full-width\">\n<div class=\"linha-fina-noticia\">Segundo entidades, impunidade \u00e9 respons\u00e1vel pelo crescimento dos casos<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheader\">\n<div class=\"container-autoria\">\n<p>A campanha para as elei\u00e7\u00f5es municipais deste ano foi recordista em viol\u00eancia pol\u00edtica na \u00faltima d\u00e9cada, conforme revela pesquisa realizada pelas organiza\u00e7\u00f5es Justi\u00e7a Global e Terra de Direitos,\u00a0<a href=\"https:\/\/terradedireitos.org.br\/violencia-politica-e-eleitoral-no-brasil\">lan\u00e7ada nesta segunda-feira<\/a>\u00a0(16).\u00a0Entre novembro de 2022 e outubro de 2024, foram 714 casos de viol\u00eancia dirigida a pessoas que se candidataram. Foi o maior n\u00famero desde o in\u00edcio da s\u00e9rie iniciada em 2016. Segundo an\u00e1lise das entidades que fizeram o levantamento, a impunidade \u00e9 respons\u00e1vel pelo crescimento no n\u00famero de casos.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1623947&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1623947&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A coordenadora de Incid\u00eancia Pol\u00edtica da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, avalia que os per\u00edodos de pleitos municipais t\u00eam sido mais violentos. \u201cEntendemos que as respostas do estado como um todo a essa viol\u00eancia t\u00eam sido aqu\u00e9m do esperado. Isso causa uma naturaliza\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia e faz com que os epis\u00f3dios tamb\u00e9m sejam cada vez mais frequentes\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais na s\u00e9rie hist\u00f3rica tiveram uma eleva\u00e7\u00e3o dessa situa\u00e7\u00e3o. Em 2016, foram registrados 46 casos. Esse n\u00famero cresceu para 214 casos em 2020 e, em 2024, houve um salto para 558 casos. Isso representa aumento de 344 casos nos quatro anos entre 2020 e 2024 ou crescimento de aproximadamente 2,6 vezes em rela\u00e7\u00e3o a 2020. Comparando com 2016, o aumento \u00e9 de 12 vezes.<\/p>\n<p>Para a diretora adjunta da Justi\u00e7a Global, Daniele Duarte, a viol\u00eancia nos pleitos dos munic\u00edpios est\u00e1 relacionada \u00e0s disputas territoriais nos munic\u00edpios. \u201cA pesquisa demonstra que as elei\u00e7\u00f5es municipais s\u00e3o mais violentas. A partir da s\u00e9rie hist\u00f3rica, n\u00f3s verificamos esse aumento no n\u00famero de amea\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres candidatas, pr\u00e9-candidatas e para as suas assessorias tamb\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<h2>Mulheres como alvo<\/h2>\n<p>As pesquisadoras avaliam que, al\u00e9m dos assassinatos e atentados, as amea\u00e7as e as ofensas t\u00eam um crescimento direcionado mais \u00e0s mulheres. Elas, sendo cisg\u00eanero ou transexuais, foram alvos de 274 casos, representando 38,4% dos casos totais. Os ataques virtuais comp\u00f5em cerca de 40% das ocorr\u00eancias contra mulheres e 73,5% das ofensas no per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral ocorreram em ambientes parlamentares ou de campanha, sendo que 80% dos agressores eram homens cisg\u00eanero, tamb\u00e9m parlamentares.<\/p>\n<p>\u201cDos 714 casos gerais do per\u00edodo que n\u00f3s analisamos, 274 s\u00e3o contra mulheres. Considerando pretas e pardas, s\u00e3o 126 casos (&#8230;) Os homens tamb\u00e9m s\u00e3o mais v\u00edtimas porque est\u00e3o em maior n\u00famero dentro do sistema pol\u00edtico. Quando a gente consegue identificar os agressores, quase 80% tamb\u00e9m s\u00e3o homens\u201d, contextualiza a pesquisadora Gisele Barbieri.<\/p>\n<p>Ela explica que a Lei 14.192, aprovada em 2021, tornou crime a viol\u00eancia pol\u00edtica de g\u00eanero. \u201c\u00c9 uma lei que ainda precisa ser ampliada e aperfei\u00e7oada, porque a gente n\u00e3o consegue ver quase nenhum caso enquadrado dentro dessa lei. O sistema de justi\u00e7a tamb\u00e9m demora a dar respostas com rela\u00e7\u00e3o a esses casos\u201d, diz Gisele Barbieri.<\/p>\n<h2>Internet<\/h2>\n<p>Outro aspecto que a coordenadora da Terra de Direitos enfatiza \u00e9 que a falta de regula\u00e7\u00e3o da internet acaba propiciando a expans\u00e3o de formas de viol\u00eancia. \u201cMais dos 70% das amea\u00e7as que a gente teve em 2024 e em 2023 s\u00e3o feitas por meio de redes sociais, e-mail e plataformas digitais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com Daniele Duarte, do Justi\u00e7a Global, o crescimento nos ataques virtuais vitima mais as mulheres. A falta de uma legisla\u00e7\u00e3o eficiente de internet contribui para n\u00e3o haver investiga\u00e7\u00e3o. \u201cExistem hoje muitos mecanismos para os amea\u00e7adores se esconderem, que a justi\u00e7a n\u00e3o acesse e n\u00e3o chegue at\u00e9 eles. Isso tamb\u00e9m aumenta o n\u00famero de casos de amea\u00e7as\u201d. Ela acrescenta que essas amea\u00e7as chegam com informa\u00e7\u00f5es pessoais das candidatas e dos candidatos.<\/p>\n<h2>Eleva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, uma pessoa foi v\u00edtima de viol\u00eancia pol\u00edtica a cada oito dias. Em 2022, foram tr\u00eas pessoas a cada dois dias e, em 2024, s\u00e3o quase duas pessoas v\u00edtimas de viol\u00eancia pol\u00edtica por dia.<\/p>\n<p>Neste ano, foram 558 casos, com\u00a0 27 assassinatos, 129 atentados, 224 amea\u00e7as, 71 agress\u00f5es f\u00edsicas, 81 ofensas, 16 criminaliza\u00e7\u00f5es e 10 invas\u00f5es. A amea\u00e7a \u00e9 o tipo de viol\u00eancia mais recorrente, quase 40% dos casos totais do ano.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia mais comum foi a amea\u00e7a (135 casos), seguida por 19 registros de amea\u00e7as de estupro. Os Estados com mais ocorr\u00eancias foram S\u00e3o Paulo (108), Rio de Janeiro (69), Bahia (57) e Minas Gerais (49).<\/p>\n<h2>Medidas<\/h2>\n<p>As pesquisadoras enfatizam que \u00e9 fundamental que o poder p\u00fablico adote a\u00e7\u00f5es de combate, como programas efetivos contra a viol\u00eancia pol\u00edtica nos \u00f3rg\u00e3os legislativos, aperfei\u00e7oamento de leis e seguran\u00e7a ampliada para equipes e mandatos coletivos.<\/p>\n<p>As entidades defendem, por exemplo, que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adote campanhas contra discursos de \u00f3dio, racismo e viol\u00eancia de g\u00eanero. Caberiam ao sistema eleitoral e de justi\u00e7a apoio \u00e0s v\u00edtimas, canais estruturados para den\u00fancia e celeridade no julgamento de casos.<\/p>\n<p>O estudo ressalta a necessidade urgente de articula\u00e7\u00e3o entre sociedade civil, institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e partidos pol\u00edticos para frear o avan\u00e7o da viol\u00eancia e fortalecer a democracia no Brasil. \u201c\u00c9 uma responsabilidade coletiva\u201d, diz a pesquisadora da Justi\u00e7a Global.<\/p>\n<p>*Com informa\u00e7\u00f5es de Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo entidades, impunidade \u00e9 respons\u00e1vel pelo crescimento dos casos A campanha para as elei\u00e7\u00f5es municipais deste ano foi recordista em viol\u00eancia pol\u00edtica na \u00faltima d\u00e9cada, conforme revela pesquisa realizada pelas organiza\u00e7\u00f5es Justi\u00e7a Global e Terra de Direitos,\u00a0lan\u00e7ada nesta segunda-feira\u00a0(16).\u00a0Entre novembro de 2022 e outubro de 2024, foram 714 casos de viol\u00eancia dirigida a pessoas que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22368,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":{"0":"post-22367","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-tudo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22367"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22369,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22367\/revisions\/22369"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}