{"id":18816,"date":"2024-07-08T13:26:46","date_gmt":"2024-07-08T16:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/?p=18816"},"modified":"2024-07-08T13:26:46","modified_gmt":"2024-07-08T16:26:46","slug":"estudo-de-sp-revela-novo-fator-associado-ao-risco-de-covid-19-em-pessoas-com-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/estudo-de-sp-revela-novo-fator-associado-ao-risco-de-covid-19-em-pessoas-com-obesidade\/","title":{"rendered":"Estudo de SP revela novo fator associado ao risco de Covid-19 em pessoas com obesidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">A descoberta foi feita por pesquisadores da Unicamp; resultados foram apresentados durante a Fapesp Week China<\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio da pandemia de Covid-19, um grupo de pesquisadores brasileiros mostrou de forma pioneira por que a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 tende a ser mais grave em pacientes diab\u00e9ticos. Agora, a mesma equipe sediada no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) descobriu um dos motivos pelos quais pessoas com obesidade que n\u00e3o t\u00eam diabetes ou mesmo resist\u00eancia \u00e0 insulina tamb\u00e9m apresentam risco aumentado de desenvolver a forma grave da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNovos experimentos mostram que os mecanismos moleculares s\u00e3o bem diferentes nos dois casos\u201d, revela \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Fapesp\u00a0Pedro Moraes-Vieira, professor do IB-Unicamp que coordena a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 apoiada pela Fapesp por meio de dois projetos (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/109773\/adaptacao-imunometabolica-de-macrofagos-teciduais-residentes-na-saude-e-na-doenca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/16030-0<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106215\/estudo-sobre-fatores-de-risco-associados-a-maior-gravidade-a-covid-19-e-mapeamento-de-vias-metabolic\/?q=20\/04579-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/04579-7<\/a>) e tamb\u00e9m est\u00e1 vinculada ao\u00a0Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades\u00a0(<a href=\"https:\/\/ocrc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">OCRC<\/a>) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (Cepid) sediado na Unicamp.<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados no dia 29 de junho, em um painel dedicado a temas de sa\u00fade e biomedicina que integrou a programa\u00e7\u00e3o da\u00a0Fapesp Week China. Tamb\u00e9m participaram da sess\u00e3o Zhang Zhiyong, da Universidade de Medicina de Guangzhou;\u00a0Luciana Cezar de Cerqueira Leite, do Instituto Butantan; Xin Jin, cientista-chefe de Pesquisa da empresa chinesa BGI; e Dan Zhang, cofundador da empresa Hillgene BioPharma, tamb\u00e9m da China. Os mediadores foram Xin Jin e\u00a0Simone Appenzeller, da Unicamp.<\/p>\n<p>Em artigo publicado em maio de 2020, o grupo da Unicamp mostrou que, no caso de diab\u00e9ticos infectados pelo SARS-CoV-2, o teor mais alto de glicose no sangue \u00e9 captado por um tipo de c\u00e9lula de defesa conhecido como mon\u00f3cito e serve como uma fonte extra de energia que permite ao v\u00edrus se replicar mais do que em um organismo saud\u00e1vel. Em resposta \u00e0 crescente carga viral, os mon\u00f3citos passam a liberar uma grande quantidade de citocinas [prote\u00ednas com a\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria], que causam uma s\u00e9rie de efeitos, como a morte de c\u00e9lulas pulmonares. Os pesquisadores relataram ainda que, no pulm\u00e3o de pacientes com COVID-19 grave, mon\u00f3citos e macr\u00f3fagos eram as c\u00e9lulas mais abundantes. E que a chamada via glicol\u00edtica, que metaboliza a glicose, estava bastante aumentada nesses leuc\u00f3citos (leia mais em:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/33237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/33237<\/a>).<\/p>\n<p>J\u00e1 o trabalho mais recente, cujos resultados devem ser publicados em breve, mostra que no obeso n\u00e3o diab\u00e9tico o quadro de hiperinflama\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado a n\u00edveis sangu\u00edneos aumentados de \u00e1cidos graxos saturados \u2013 principalmente um tipo conhecido como palmitato. Tamb\u00e9m conhecido como \u00e1cido palm\u00edtico, ele \u00e9 o principal componente do \u00f3leo de palma. Est\u00e1 presente na carne bovina, no leite e seus derivados.<\/p>\n<p>\u201cPor meio de experimentos in vitro, observamos que o palmitato promove uma pr\u00e9-ativa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas da imunidade inata [a primeira que entra em a\u00e7\u00e3o diante de uma infec\u00e7\u00e3o]. Elas ficam num estado de alerta, prontas para responder de forma mais intensa se detectarem uma amea\u00e7a. Quando infectamos essas c\u00e9lulas pr\u00e9-ativadas com o SARS-CoV-2, elas produzem uma quantidade de citocinas inflamat\u00f3rias muito aumentada\u201d, relata Moraes-Vieira.<\/p>\n<h2>Imunidade prejudicada<\/h2>\n<p>Em trabalhos anteriores, o grupo da Unicamp j\u00e1 havia observado que, no contexto da Covid-19, essa \u201ctempestade de citocinas\u201d produzidas por mon\u00f3citos e macr\u00f3fagos est\u00e1 na base de dois fen\u00f4menos bastante indesejados: a morte de c\u00e9lulas epiteliais pulmonares e a disfun\u00e7\u00e3o da resposta imune adaptativa \u2013 aquela que entra em a\u00e7\u00e3o cerca de duas semanas ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o e est\u00e1 relacionada \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas (linf\u00f3citos T principalmente) capazes de reconhecer e matar pat\u00f3genos de forma espec\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201cQuando cultivamos as c\u00e9lulas T em um meio condicionado por mon\u00f3citos infectados com o SARS-CoV-2, notamos uma menor capacidade proliferativa, secre\u00e7\u00e3o reduzida de citocinas inflamat\u00f3rias e maior express\u00e3o de uma prote\u00edna chamada PD-1, cujo papel \u00e9 sinalizar para os linf\u00f3citos T quando est\u00e1 na hora de parar de combater a infec\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 que essa sinaliza\u00e7\u00e3o ocorra ap\u00f3s um tempo, para que n\u00e3o haja uma resposta imune exacerbada. No contexto da COVID-19 grave, por\u00e9m, a PD-1 faz com que os linf\u00f3citos T parem de funcionar antes mesmo de resolvida a doen\u00e7a. Isso acarreta um processo chamado de exaust\u00e3o, comumente encontrado em c\u00e9lulas T presentes em tumores, por exemplo, e associado a um pior progn\u00f3stico\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cEsses achados nos ajudam a entender por que pessoas com obesidade n\u00e3o diab\u00e9ticas tamb\u00e9m t\u00eam maior predisposi\u00e7\u00e3o a desenvolver o quadro grave da COVID. Claro que esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator. Mas estamos contribuindo com mais um tijolinho para a constru\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria\u201d, avalia Moraes-Vieira.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/bit.ly\/govspnozap\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A descoberta foi feita por pesquisadores da Unicamp; resultados foram apresentados durante a Fapesp Week China Ainda no in\u00edcio da pandemia de Covid-19, um grupo de pesquisadores brasileiros mostrou de forma pioneira por que a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 tende a ser mais grave em pacientes diab\u00e9ticos. 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