{"id":12544,"date":"2023-09-11T03:36:58","date_gmt":"2023-09-11T06:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/?p=12544"},"modified":"2023-09-11T03:36:58","modified_gmt":"2023-09-11T06:36:58","slug":"ancestralidade-e-indicadora-de-risco-para-cancer-de-mama-mostra-estudo-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jm-metropole.com.br\/site\/ancestralidade-e-indicadora-de-risco-para-cancer-de-mama-mostra-estudo-de-sp\/","title":{"rendered":"Ancestralidade \u00e9 indicadora de risco para c\u00e2ncer de mama, mostra estudo de SP"},"content":{"rendered":"<p>Levantamento com amostras indica que mulheres de ascend\u00eancia africana t\u00eam mais chances de desenvolver tumores que s\u00e3o de dif\u00edcil tratamento<\/p>\n<p>A ancestralidade, seja europeia, africana, asi\u00e1tica ou ind\u00edgena, \u00e9 um conhecido fator para prever o tipo de c\u00e2ncer de mama mais prov\u00e1vel de ocorrer em uma certa popula\u00e7\u00e3o. No entanto, em pa\u00edses miscigenados como o Brasil, apenas a cor da pele n\u00e3o \u00e9 suficiente para determinar esse fator de risco.<\/p>\n<p>Essa foi a conclus\u00e3o de um estudo publicado na revista Clinical Breast Cancer por pesquisadores do Hospital de Amor, antigamente conhecido como Hospital do C\u00e2ncer de Barretos.<\/p>\n<p>O grupo realizou a primeira avalia\u00e7\u00e3o de ancestralidade de pacientes com c\u00e2ncer de mama, nos distintos subtipos moleculares, com base em marcadores gen\u00e9ticos de ancestralidade especialmente selecionados para a popula\u00e7\u00e3o geral brasileira. Esse tipo de an\u00e1lise \u00e9 importante para definir se a frequ\u00eancia desses subtipos de tumores se associa com a ancestralidade gen\u00e9tica das pacientes.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados apontam para a necessidade de realizar exames anuais em popula\u00e7\u00f5es de ascend\u00eancia africana, predominante no Norte e Nordeste do pa\u00eds. Al\u00e9m dos fatores socioecon\u00f4micos, que podem influenciar o progn\u00f3stico da doen\u00e7a nessa popula\u00e7\u00e3o, observamos uma maior propor\u00e7\u00e3o de ancestralidade africana em mulheres com o subtipo molecular triplo-negativo, que \u00e9 sabidamente mais agressivo, multiplica-se mais r\u00e1pido e tem menos op\u00e7\u00f5es de tratamento\u201d, esclarece Ren\u00e9 Aloisio da Costa Vieira, pesquisador do Hospital de Amor\u00a0e um dos coordenadores do estudo, financiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Ele divide a primeira autoria do trabalho com D\u00e9bora Sant\u2019Anna, que teve bolsa de treinamento t\u00e9cnico da FAPESP.<\/p>\n<p>No estudo, realizado em mais de mil pacientes com c\u00e2ncer de mama de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, observou-se que a ancestralidade avaliada geneticamente foi fator associado com a classifica\u00e7\u00e3o molecular do c\u00e2ncer. \u201cIsso mostra como a cor da pele n\u00e3o \u00e9 determinante para o tipo de tumor, mas, sim, a ancestralidade\u201d, comenta Rui Manuel Reis, coordenador do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) da mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Preven\u00e7\u00e3o e tratamento<\/p>\n<p>Em 2016, os pesquisadores haviam analisado pacientes com c\u00e2ncer de mama heredit\u00e1rio e n\u00e3o encontraram rela\u00e7\u00e3o entre ancestralidade e as muta\u00e7\u00f5es relacionadas a esse subtipo de tumor.<\/p>\n<p>Posteriormente, o grupo correlacionou a ancestralidade dos brasileiros com outros tumores. Em 2019, os cientistas demonstraram associa\u00e7\u00e3o entre uma muta\u00e7\u00e3o de sensibilidade a droga presente em tumores de pulm\u00e3o e pessoas com ascend\u00eancia asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>No ano seguinte, outro trabalho mostrou que pessoas de ascend\u00eancia africana t\u00eam diagnosticado c\u00e2ncer colorretal em idade mais precoce do que pacientes de ancestralidades europeia e asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>No trabalho atual, foram analisadas 1.127 amostras de tumores de pacientes nascidas nas cinco regi\u00f5es brasileiras que passaram pelo Hospital de Amor, com uma predomin\u00e2ncia maior do Sudeste (72%). Foram 7,3% das pacientes da regi\u00e3o Norte, 1,8% do Nordeste e 0,9% do Sul.<\/p>\n<p>Seguindo o padr\u00e3o de autodeclara\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a maioria se declarava branca (77,9%), seguidas de pardas (17,4%) e negras (4,1%). Amarelas (asi\u00e1ticas) e ind\u00edgenas somaram 0,5%.<\/p>\n<p>Quanto ao tipo de tumor, a maioria (64,8%) era luminal Her-2 negativo e 19,1% luminal Her-2 positivo, que, al\u00e9m de quimioterapia, contam com tratamento hormonal como op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. J\u00e1 16,2% tinham tumores triplo-negativos, que se multiplicam mais r\u00e1pido, s\u00e3o associados a um pior progn\u00f3stico e n\u00e3o contam com terapia hormonal.<\/p>\n<p>\u201cDe maneira geral, a quimioterapia se associa a cerca de 12% de aumento da sobrevida, independente do subtipo molecular. No caso dos luminais, existe o tratamento hormonal, que eleva a sobrevida em cerca de 30%, mas n\u00e3o tem efetividade nos triplos-negativos\u201d, explica Vieira.<\/p>\n<p>Ainda que cada mulher apresentasse uma ancestralidade principal, os pesquisadores observaram uma consider\u00e1vel mistura na composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, com a maioria sendo europeia, seguida de africana, amer\u00edndia e asi\u00e1tica.<\/p>\n<p>Foi encontrada uma associa\u00e7\u00e3o significativa entre o subtipo do tumor e a regi\u00e3o geogr\u00e1fica onde vivia a paciente, com 20% dos triplos-negativos sendo mais frequentes na regi\u00e3o Nordeste, enquanto 15,7% dos HER+, outro subtipo de progn\u00f3stico pior do que os luminais, sendo mais frequentes na regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>Uma alta propor\u00e7\u00e3o de ancestralidade africana foi observada no Nordeste (52,6%) e Norte (51,3%), enquanto no Sul (60%) e no Sudeste (38%) prevaleceu uma propor\u00e7\u00e3o maior de ancestralidade europeia.<\/p>\n<p>Em todas as regi\u00f5es, mulheres com menos de 40 anos tinham uma maior frequ\u00eancia de tumores triplo-negativos (22,3%) e mulheres com mais de 74 anos apresentavam mais luminal HER-2 negativo (6,2%). Ao mesmo tempo, a fase inicial do diagn\u00f3stico foi mais associada com esse subtipo (21,3%), enquanto pacientes com met\u00e1stase tinham mais o subtipo HER-2 positivo (13,3%) e triplo-negativo (11,2%).<\/p>\n<p>A ancestralidade europeia foi mais frequentemente associada com o tumor luminal HER-2 negativo (36,3%), enquanto a africana foi relacionada tanto com a vers\u00e3o positiva desse subtipo (HER-2+) (43,7%) quanto com o triplo-negativo (42,2%).<\/p>\n<p>Com os resultados, \u00e9 poss\u00edvel indicar uma maior regularidade de exames de rotina, como mamografia, no Norte e Nordeste do Brasil. \u201cOs dois anos indicados atualmente no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) podem ser muito tempo para quem estiver com um tumor triplo-negativo, que duplica de tamanho com muita rapidez. O ideal seriam exames anuais\u201d, encerra Vieira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento com amostras indica que mulheres de ascend\u00eancia africana t\u00eam mais chances de desenvolver tumores que s\u00e3o de dif\u00edcil tratamento A ancestralidade, seja europeia, africana, asi\u00e1tica ou ind\u00edgena, \u00e9 um conhecido fator para prever o tipo de c\u00e2ncer de mama mais prov\u00e1vel de ocorrer em uma certa popula\u00e7\u00e3o. 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